Sandra Slevinsky

Talvez os inventores das canções (imitados frustradamente pelos humanos) continuam a encantar e cantar. E pelo canto que foram aprisionados em gaiolas.
E, paradoxalmente, talvez seja pelas gaiolas que muitas espécies de pássaros ainda existem.
É o caso do bicudo, segundo o ornitófilo amador Pedro Cordeiro, que é presidente da Somar (Sociedade Ornitófila de Maringá), conhecida como a associação dos criadores de pássaros silvestres da cidade.
Esse pequeno voador, de canto grande, alimenta-se principalmente de sementes.
Cordeiro explica que o uso de agrotóxicos nas plantações é uma das possíveis causas da extinção do bicudo.
" Praticamente já não existe mais na natureza, só se acha o bicudo em cativeiro", alerta.
Esse pássaro chega a viver 45 anos quando bem tratado.
O sabiá-laranjeira também vive bastante, cerca de 30 anos aproximadamente.
Diferente do bicudo, é possível encontrar o sabiá na natureza, por ser um pássaro frutífero.
Porém, é proibido aprisionar ou comercializar quaisquer pássaros silvestres coletados diretamente da natureza.
A criação em cativeiro é autorizada mediante registro no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) ou filiação a uma associação de criadores, como a Somar.
Segundo o presidente da associação em Maringá, a criação exige muita paciência, cuidados, atenção a possíveis
" O pássaro tem de ser bem tratado, o criador tem de observar as gaiolas todos os dias. A gente conhece só de olhar o pássaro e sabe se ele tem alguma coisa", relata.
Cordeiro nutre essa paixão por pássaros desde que mudou de Santa Catarina para o Paraná aos seis anos de idade.